Importante

Todos os textos do blog, em prosa e verso, a não ser quando creditado o autor, são de minha autoria e para serem usados de alguma forma, necessitam de prévia autorização.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Polos


A vida tem suas previsibilidades, mas também tem uma face de imprevisibilidade. São dons que nos angustiam e – ainda bem – nos fascinam, como o de ser inesperada. A gente se desloca, peregrina, expectativas nos píncaros e chegando lá...não era o que a gente esperava. Para o bem ou para o mal. Precisamos deixar uma “margem de erro para esses eventos indomáveis, de maneira que não nos aflijam. Remar contra a maré tem seu mérito, claro, mas tem horas em que se revela mais sábio deixar que a correnteza esteja no comando e boiar como juncos na sustentável leveza da selvagem correnteza e antes que este texto rompa a represa da contradição, vou parando por aqui.

Tripolar

A vida é um belo capricho
O bom dia no capacho
quando levas o teu lixo
Só que viver bate na veia
A gente nega e refreia
Mas já dana a acelerar
Viver é saga perigosa
Te distrais cheirando a rosa
E de repente é outro lugar
Onde a serpente tem asas
Não se acha o rumo de casa
E os inocentes morrem antes
Viver é área de fumantes
Bem a comédia de Dante
Inferno e céu que se alternam
Revisitados, modernos
Do sanduíche o recheio

O purgatório no meio


sábado, 14 de outubro de 2017

Tabu


Estamos conectados. A que, a quem? A muitos? A ninguém? Tatofóbicos? Defendidos, iludidos. Tememos tocar e ser tocados. Resta a palavra parcimoniosa e imagens hipnotizantes quase nunca fazendo congruência. Paisagem é foto sabe lá de onde como fundo de tela. Detê-la? De tê-la. Simulacros, sorrisos protocolares para autofotos. Abundância de felicidade. Autoajuda pra ajudar o outro. Comprimidos pra tristeza. Drágeas pra ansiedade. Antídotos e disfarces pra solidão.

Solidão alçada a tabu. Os androides de Blade Runner nos redimirão? O admirável mundo não tão novo. Filme japonês no Festival do Rio: a ação se passa em meio a 9 milhões de quase autômatos em Tóquio. Encontros desencontros. Toque-o. Ele é de verdadeiros ossos e carne.


Resta a palavra. Que ainda não perdeu seu poder de evocar, invocar, revogar, convocar, provocar, congraçar o real.


Sem sinal

Marcamos desencontros
Vivemos nos enquantos
Sem placas nas esquinas
Sem sintonias finas
O dito por não dito
das línguas em conflito
O palavrório é mudo
O ouvido, meio surdo
Viramos arquipélago
Distante o continente
Um sentimento acéfalo
O amor intermitente
Tranças da solidão
E trancas no portão





sábado, 7 de outubro de 2017

Desagravo




Embora se exalte a diversidade, de linguagens, de culturas, de opiniões e tudo mais, o mundo é de padrões. E sendo assim, estranha o que foge a esses padrões. Edward mãos de tesoura é um instigante e poético filme de Tim Burton que ilustra bem isso. Quem por acaso nunca assistiu, assista.

O conceito tirânico do belo se conflitua com nossas subjetividades, inclusive quanto ao belo pra cada um de nós. O diferente, o estranho ( que na verdade não é sinônimo de esquisito e sim de desconhecido), não só causa resistências, mas chega na intolerância e na hostilidade,

Existem eufemismos que só confirmam a regra, tais como exótico, excêntrico e quantos ex surjam pra rotular, ou seja, são os pontos fora da curva estética e comportamental. E haja bullying!

Vejam, mesmo a palavra tolerância traz em sua essência a condição não de conviver e acolher, mas de apenas tolerar, ou seja, ser apenas tolerante com o que se discrimina por errado, por feio, por desprezível!


Que um dia todos nós possamos ser livres pra convivermos verdadeiramente sem exclusões, sem castas, donos da verdade, sem guetos, apartheids, sem refugiados, sem terra, sem teto e desumanizados de toda espécie.


                      
                       O que subjaz


logo o que é prisão mais provoca a atração como quem toma um trem pelo arrojo do vagão e não por seu trajeto e destino, conflito entre o primal instinto seleção natural e o novo sapiens que abstrai e em plena era da Ciência a intercorrência dos apelos aos sentidos feromônios nos neurônios sedução do cidadão o irracional o passional o caos ficando banal. Enquamto isso é coroada a Miss do Universo decantada em prosa e verso pela sua perfeição na medida no formato do modelo do padrão, o nerd se perde de amor pela menina que o senso comum acha um horror e o par atura a chacota o sarro a caricatura é dura a vida dos pontos fora da curva. Na superfície do imediato só resta o ipso facto, o que cativa é o subjacente ao aparente a formosura (e sua ditadura) aqui se faz aqui jaz

sábado, 30 de setembro de 2017

Phyllos


A experiência extrema e perturbadora que é viver  nos leva a buscar alentos, atenuantes. Sem fazer juízo de valor: uns se apegam à religião, outros a alguma paixão, uns à arte e outros ainda a uma postura um tanto cínica que consiste em saudosismo escapista, descrença em tudo e todos e absoluta desesperança.
Fico com a arte. Não que ela seja a resposta pras angústias, aspirações e mistérios da vida, não por escapismo, mas por acreditar que a arte é um mediador entre o Eu e o mundo. Ela faz pensar, ela lança luz, ela encanta, nos mobiliza, instaura o primado do belo e exerce um descompromissado e meio anárquico papel terapêutico de tanto perturbar quanto mobilizar.
Perdi a conta de quantos relatos ouvi de gente que foi salva pela arte em circunstâncias de desânimo, vazio, incerteza.
O artista tanto constrói quanto desconstrói o estabelecido, com suas peculiares visões. Mesmo quando se apropria do que é mais banal no cotidiano. A arte que não embarca no que inaugura, na invenção ou reinvenção, em regurgitações criadoras, somente estaria reproduzindo mais do mesmo, num enfadonho burocratismo que compila e coleta clichês que só servem pra manter tudo no mesmo lugar.
Então esse lugar da arte é único. Singularidade que se faz necessária pra não sucumbirmos à verdade, como sabiamente disse Friedrich Nietzsche, filósofo e poeta.


Ressonância

Então minh’alma é pega de surpresa
O russo Rachmaninov num prelúdio
Tocado em grande órgão de mil tubos
Mal posso suportar tanta beleza

Tamanha angústia , fúria e incerteza
Sublime e visceral, me deixa mudo
Talvez narrando a síntese de tudo
Aguda pequenez, grave grandeza

O músico fibrila em extertor
Canal carnal de gelo e de calor
Limites da existência num conflito

A nave da igreja em ressonância
Meu choro é emoção de redundância
Na pré-palavra a fala do inaudito

  







sábado, 23 de setembro de 2017

Duros tempos

Nestes tempos cínicos de mais circo que pão, só a poesia pra tentar lançar alguma luz sobre a cena.



Tapumes

Entre tiros e vírus
Somos sobreviventes
Sobressalentes
Gente pelo ladrão
Massa falida
Bala perdida
encontra o alvo
aleatório
Prós sãos e salvos
Genuflexório
Acima imploramos
Aqui deploramos
E vamos assim
Círco e pão
Círculo sem fim
Sentidos, distração
Orgulho e joelhos feridos
Mergulhos sem pé nem sentido
No raso
Ao acaso
O esbulho do entulho
Farsa de dois gumes

Por trás dos tapumes


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O avesso em versos



Nãos


Ostra não alardeia pérola
Pérola não enfeita colo plebeu
Plebeu não tem sangue azul
Azul não é mais a cor da baía
Baía não é mais a casa do peixe
Peixe não é mais milagre do santo
Santo de casa não faz milagre
Milagre não é solução pra miséria
Miséria não deixa criança crescer
Crescer não é o único direito

Direito não é pros avessos


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Contando

Ser artista é dar murro em faca pontuda e nadar contra a corrente. Portas fechadas? Não existem portas, só janelas, por onde esticamos pescoços pra bradar. O mundo é prático e tende a preferir simples arremedos a coisas menos rasas e imediatistas que obrigam a refletir. Estamos na ordem da estupefação e do atordoamento, anestésicos pra angústia de viver sem no fundo nem na superfície sabermos  a que se destina e com que propósito. E vamos alternando escapismos com filosofices  e individualismo com coletivices solitarizantes. Nietzsche disse que temos a arte pra que a verdade não nos aniquile. O que parece fuga é concretude e motor. O artista antena e reverbera tudo isso e regurgita de várias formas, particularmente o contador de histórias, o raconteur, o menestrel, o repentista, o rapper, o  poeta.

                 Narro o que narra


Aponta o lápis
Extrai as farpas
Sem penas próprias
Encharca a pena
Vazam volúpias
Noites de núpcias
Força do verbo
Na dor que narra
Fugas e amarras
Mais os prazeres
Superlativos
(que ele amplifica?)
Sim, tem seus crivos
que não sabotam
Não vive em Gotham
Nem todo mote
é embarcação
Ora canção
Gritada trova
Copo de fel
ou mel no favo
Em desagravo

ao coração


sábado, 2 de setembro de 2017

Centelha sem telha

Enquanto isso, no país que é justo com seus trabalhadores e que trata bem os idosos a ponto de garantir trabalho PARA TODA A VIDA...


Cién años

Quem nunca comeu melado
Sem ele vai prosseguir
Sujeito posto de lado
Banido do seu porvir

Nem plano B arrojado
Mandinga, reza, elixir
Destino de aposentado
Comer do pasto a raiz

Viver cem anos, quem sabe
Pra então ter o que lhe cabe
Enfim desescravidão

Depois de imensa jornada
Gozar a vida é piada
Cem Anos de Exploração




                                 

sábado, 26 de agosto de 2017

Vênus e Mercúrio




Prata e ouro


Teu gozo assombroso é tão intenso extenso que toda tremes e temes desfalecer enlouquecer em ondas redondas de choque a cada estoque e entre assombros e escombros de lençóis amarfanhados melados redemoinho de suor e vinho debaixo da saia chegas às raias da alucinação e ris de tesão e nervoso do quase perigoso jogo de pôr fogo no pavio curto no surto do cio que adio por provocação a emoção nos toma e a tarde arde em nossa redoma atemporal imoral e sublime que nos profana e redime e não se trata só da prata do carnal mas do ouro do transcendental  e mesmo assim tu, rouca e louca e ansiosa já na aurora me implora: cala a boca e goza...

                                              

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Felizices


Na raiz


Ser feliz tá na raiz, nos quadris, o que diz na bula não engula pula esta parte com engenho e arte, desfranze o cenho e o ferrolho ferrenho, apura o molho arregala o olho esparge a pimenta tenta e tenta vai tentando, quando menos se espera a coisa acelera desmodera. O intenso se rasga chora, mas é feliz mesmo sem diretriz, faz do lenço uma vela enfunada pra de tudo ver nesse oceano imenso. Ser feliz tá nos quadris, na dança, no ser grande criança e lá num canto do peito soltar o canto mesmo sem jeito e afinação contanto que brote do coração. Não é alienação mas brandura mesmo na braveza. Feliz de não ser juiz de valores nem de amores. Feliz quando o desassossego dá lugar ao gargalhar do desapego

                                       

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Não!


Não


Enfia a meritocracia goela abaixo golpe baixo em quem crê e defende os direitos civis não servis cada etapa um tapa na cara um cala boca vala comum retórica oca enquadrando um por um quando o abismo é melhor menos pior que o cinismo e no ostracismo social sem emergências do bem só do mal o claustro às escuras a ante-sala do caos o silêncio grita pra surdos que ficam mudos pra cometer absurdos as pilhérias das pilhagens as tragédias das trucagens tripudiárias abecedárias são tribos várias de  chantagistas, de conformistas, de arrivistas, de privatistas, tudistas, nadistas a prazo e à vista uns califas botando em rifa a pátria que nos pariu golpe civil, escroques sem fuzil, digamos ENE A O TIL!


sábado, 29 de julho de 2017

Fibra que fibrila

 
Integral com fibra



Entrega é trégua do espírito armado, um espirro não programado, mergulho no não mapeado, é delivery por livre e espontânea vontade, tá de coração aberto mesmo no que é incerto e sem garantia, é não se dar por fatias e sim de forma integral cheia de fibra, cada célula vibra no efusivo acontecer, entrega não é ceder, é pra valer sem barganha, só se ganha, é sem condições com raras contraindicações, é seguir sem reservas, adicionar finas ervas na culinária extraordinária das paixões, é surfar tufões, emocionar razões, dos atos mais transgressores, abrir janelas e portas, extravasar as comportas, entregas de todo matiz a uma causa, artista ou país, de todas a mais atrevida: ao amor da sua vida

                                                   


                                                     

sábado, 22 de julho de 2017

Vórtice



Ávida


Cinema é cinético dialético motion picture movie se move como a vida que não para quieta direta dileta seta em arco retesado, marco zero, bolero de Ravel, inferno e céu, canto xamã, talismã, jornada pelo tudo e pelo nada, batucada de coração tambor por amor, pulsação embrião flor que nasce e viceja na lama, sonho e drama, tear que urde a trama sempre em movimento, num momento assim no outro assado, vida é dado que rola, sola gasta pela estrada vasta, viola que soa, susto que atordoa, vida é boa é ruim, pierrô arlequim colombina, febris esquinas e o teto da Capela Sistina. É penugem ferrugem, é trovoada, choro com soluço e gargalhada, enigma sem solução, vida é arte, é restart, cada um faz sua parte, uma andorinha no solo não faz verão

                                 
                     

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Poeticamente


Mente. A mente do poeta mente o que ele crê. A gente lê e dá fé mesmo quando é fundo e não dá pé. Ele aborda o mundo e pinta e borda e não é cheque sem fundo, é moleque e profundo e pro fundo nos leva e enleva. A verdade do poeta inquieto esteta é de olhar lúcido pro real e como tal ele desmonta paradigmas e monta tufões bufões e diz e rediz feliz ou infeliz de modos sem medos que só a poesia, essa epifania logra expressar ao espessar o real ou refiná-lo até o talo. Ao mentir suas verdades, seus alardes, ele lapida brutos diamantes, inventa fortuitos amantes e ri de si menestrel trovador inferno e céu, ódio e amor, que a vida tem mais de um viés, muitos ares e rufares de tambor de tenso e manso amor e mesmo que a cabeça se esqueça ainda restam os pés pra caminhar e mãos do gesto presto de acarinhar e escrever.


sábado, 8 de julho de 2017

Lei que manda


Estado grave

Grave isso, gente: a Lei da Gravidade é uma das leis regentes do Universo. Tanto que quando converso com algum prodígio o queixo cai. Por que? A gravidade está lá pra estalar o malar que arria o queixo e nem adianta queixa. O coque da gueixa se não bem preso desaba e a gueixa acaba.

Pessoas, canoas, mares, colares, lares, matas, gravatas, tudo e todos se sujeitam à lei, plebeu ou rei, que sobem quando pulam ou decolam, mas rolam e deitam, pois tudo o que sobe desce, mesmo os elevadores que saindo da terra térreo precisam descer pra poder subir de novo. 


Foguetes, Ícaros, balões, desafiam a gravidade, mas isso não permanece e o balão desce, o avião idem na atração fatal gravitacional orbital sem nem um avo de desagravo. Os anéis de Saturno, o vaso chinês que se desagrega, tudo se rende e se entrega à força inteira que esculpe as cachoeiras e faz da Lua nossa eterna companheira.

                                      

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Facetas


Os normalistas

Normalidade é fachada, é a fechada no trânsito, é flechada equivocada de Cupido, é o discurso cuspido pra tapar sol com a peneira, é vatapá sem dendê, escolher no unidunitê. Vou te contar um segredo, tenho medo dos normais demais, fico de pé atrás. Somos nós uns psicóticos anedóticos cheios de nós na cabeça, mas sabemos ter disfarces como o do bom vizinho que dissimula e faz cafuné no menininho mas à noite com ar de gula estrangula seu passarinho. Tem louco que parece normal, com cara de vitral angelical, mas tem lúcido genial que tem ideias tidas como loucas, não poucas e passa de estigma a fundador de paradigma. Muito normal é máscara social. O normal.  genuíno, o na intimidade, não o de fachada, mas o de cara lavada, deveria dizer a verdade, não ligar pra idade e apoiar as liberdades, mas este ê o normal ideal idealizado, o dito normal é o normal consagrado ensaiado do sorriso de gesso e que acha que tudo tem seu preço.

No dia a dia chega a ser normal tanto cinismo e hipocrisia. No Carnaval vou sair de fantasia de normal, de terno e bravata. Entre o que é normal pra uns e pra outros, sejamos normais, mas jamais escrotos.

                                                                



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Potência X onipotência


Cais de levantar

A vitória é de quem conta monta a História, os laureis, os tonéis, os marcos na memória, as honrarias, homenagens e as pilhagens do heroico egoico vencedor espoliador e ao vencido a humilhação, o esquecimento, a erosão, o banimento, a excomunhão. Vitória da Santa Inquisição, poder paralelo queimando bruxas pé de chinelo e homens das Ciências, quanta onipotência, que renegaram seu saber pra poder viver. O poder nos regula e tem gula. Dúvidas? Dívidas? Vide bula. Sem cota, nos derrota e vira as costas, amordaça, enforca na praça em nome de Deus, temporada de caça aos plebeus.

Pro planeta Terra, sendo de guerra, derrota e vitória são a mesma escória, mas tem também as vitórias redentoras de Ghandi e Mandela, duas grandes almas a vencer a opressão sem armas letais armados só do coração e paz. Quem sabe um dia a utopia se faz real e a vitória seja apenas a glória das ondas quebrando no cais sem quebrar o cais.

                                      

sábado, 17 de junho de 2017

Busca brusca



                                  Famintos

Procura nos cura de que? Procura nos estrutura, se não somos buscadores não somos senhores do destino, nos sobra o desatino. Busca-se e mata-se a cobra e mostra-se o pau, jornada desenfreada atrás do Graal pessoal. Nada buscar, nem o luar nem o espelho nos faz fedelhos sem metas, sagitários centauros sem setas? Busca do ouro, do tesouro diamante, busca do perfeito amante, busca do Eu. busca de Deus, só somos humanos se buscamos? "Coitada, não busca nada..." busca da verdade, busca à novidade, busca de cometas, toda busca que cometas será louvada, google humano buscador buscaprazer, no cardápio insano da fome de viver.

                                                        

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Todo músculo que sente

                     

                            Tocatta sem fuga


Infarto é o coração farto da pressão, que fibrila de entrar no fim da longa fila, de bater em vão e apanhar outro tantão. A taquicardia que ardia agora adia o dia quando é noite e a noite quando é dia. Noite e dia esse tambor soando alto por teimosia, afã do amor de sobressalto, assalto à mão amada, estouro da manada, na montanha russa sem ser no parque, as fuças no vento, a fúria dos elementos, adrenalina, sina de quem ama e se derrama, humano lança-chamas da autocombustão, paixão é amor só que amor extremado acelerado sexuado ou não. E o coração, como fica? Como um Guernica de Picasso, amor em pedaços, ou O beijo de Klimt, amor constituinte e com requintes. Coração, músculo, corpúsculo que ama medroso, corajoso em Alfa, Beta e Gama, do deserto do Atacama às avenidas de Tóquio, toque-o fundo e o mundo saberá que ele te chama.




sábado, 3 de junho de 2017

Guerra em paz


De sol a sol

Trave entrave pro artilheiro sorte do goleiro a defesa trava épica batalha contra o ataque e quando o trava sai no contra-ataque guerra de araque a de verdade é no Iraque as bombas do atacante insinuante só balançam a rede a saciar a grande sede da imensa intensa torcida ela urra exigente que sua valente e inclemente tropa venha veja e vença e dê uma surra no inimigo

 As armas desse combate são o chute e o drible e a equipe que mais a domina essas artes circenses guerreiras costuma ser a primeira na disputa e na luta vale quase tudo até chamar o juiz de filho da fruta

Ao vencedor que vence a dor cabe a delícia do troféu de campeão e a paixão começa tudo outra vez o perdedor é o freguês e promete dar o troco fica todo mundo louco olha que golaço um estranho te dá um abraço nessa ilusão de Quimera até o planeta é uma esfera que gira de sol a sol codinome futebol